Poucos previam que o comércio exterior brasileiro entregaria seu melhor semestre em anos justamente sob o peso de tarifas americanas e instabilidade geopolítica. Mas os números da Secex/MDIC não deixam dúvida: superávit de US$ 42,4 bilhões entre janeiro e junho de 2026, crescimento de 40,3% sobre o mesmo período de 2025.
As exportações somaram US$ 184,8 bilhões, alta de 11,5%, e a corrente de comércio atingiu US$ 327,2 bilhões. O desempenho levou o governo a elevar a projeção de superávit anual de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões — que, se confirmada, será a segunda maior marca da série histórica. Este artigo destrincha os números e o que eles significam para quem atua ou quer atuar no Comex.
O Que Sustentou o Resultado
O petróleo bruto foi o principal motor da expansão: a balança de petróleo e derivados saltou de US$ 15,3 bilhões para US$ 22 bilhões de superávit entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. A soja, as carnes, os combustíveis e o farelo de soja completaram o quadro, combinando volume agropecuário e indústria de transformação.
A demanda asiática — especialmente chinesa — absorveu boa parte do crescimento, com o comércio com a China contribuindo com US$ 7,6 bilhões adicionais de superávit e a União Europeia com US$ 3,1 bilhões.
O Efeito Tarifaço: EUA Encolhem na Pauta Brasileira
O outro lado dos números mostra o custo do protecionismo. As exportações para os Estados Unidos recuaram 13% em valor no semestre (15,4% em volume), e a participação americana na pauta caiu de 12,1% para 9,4%. As vendas para a Argentina também recuaram 19,4%, refletindo demanda menor do vizinho.
Com a confirmação da tarifa de 25% em julho, a tendência de redirecionamento deve se intensificar no segundo semestre. A Ásia já responde por 46,3% das exportações brasileiras, com a China sozinha em 31,6% — e a Europa, reaberta pelo acordo Mercosul-UE, desponta como a grande alternativa estrutural.
A Projeção de US$ 90 Bilhões e o Que Ela Exige
A revisão do MDIC para US$ 90 bilhões de superávit anual, com exportações projetadas em US$ 394,4 bilhões, confirma 2026 como um ano histórico. Mas números dessa magnitude não se operam sozinhos: cada embarque envolve classificação fiscal, câmbio, logística, documentação e conformidade.
E o segundo semestre adiciona complexidade: a partir de 3 de agosto, os documentos fiscais eletrônicos das empresas do regime regular deverão obrigatoriamente trazer os campos de CBS e IBS da Reforma Tributária — mais uma camada técnica na rotina de quem opera o Comex.
O Que Isso Significa Para Sua Carreira
Um setor que cresce dois dígitos em plena guerra tarifária é um setor que contrata. As frentes de demanda são claras: análise de mercados e diversificação de destinos, engenharia de acordos comerciais, classificação fiscal e compliance aduaneiro, logística internacional e gestão tributária do novo modelo.
O mercado de 2026 não busca generalistas curiosos — busca especialistas operacionais. Quem chega com formação técnica sólida entra pela porta da frente de um dos setores mais aquecidos da economia brasileira.
Prepare-se Com a ABRACOMEX
A ABRACOMEX forma profissionais para atuar em todas as frentes desse novo cenário: das operações aduaneiras à estratégia de mercados, da Reforma Tributária aos acordos comerciais.
Quer transformar o melhor momento do Comex brasileiro na virada da sua carreira?
👉 Fale com um especialista ABRACOMEX: https://bit.ly/especialista-abracomex
