O Brasil abriu 2026 com um marco histórico para a fruticultura exportadora. No primeiro trimestre, as exportações brasileiras de frutas totalizaram US$ 351,1 milhões: o melhor resultado já registrado para o período. Em volume, foram 330,6 milhões de quilos embarcados, representando uma alta de 25% em valor e 13% em volume na comparação com o mesmo período de 2025.
Os números confirmam uma trajetória consistente de crescimento do setor e reforçam o protagonismo do Brasil no mercado internacional de frutas tropicais. Mas o que está impulsionando esse desempenho, e quais são os desafios e oportunidades que se abrem a partir daqui?
Os destaques por produto: quem puxou o crescimento?
O resultado do trimestre não foi uniforme entre as culturas. Alguns produtos apresentaram crescimento expressivo, revelando ganhos reais de competitividade e abertura de novos mercados.
A manga liderou o avanço, com alta de 69% em valor e 40% em volume: reflexo da qualidade reconhecida da fruta brasileira no exterior e da ampliação das janelas de exportação. A melancia cresceu 40% em valor e 12% em volume, enquanto os melões avançaram 15% e 3%, respectivamente.
O destaque mais surpreendente, no entanto, foi a maçã, com crescimento de 215% em valor e 228% em volume: um salto expressivo que indica conquista de novos mercados e ganhos de participação. O abacate cresceu 18% em valor e 38% em volume, a banana avançou 32% e 14%, e o mamão papaya registrou altas de 19% e 11%.
Por outro lado, as uvas recuaram 16% em valor e 18% em volume, impactadas por fatores climáticos e pela dinâmica competitiva do mercado internacional, um lembrete de que nem todos os segmentos navegam no mesmo vento favorável.
Europa ainda lidera, mas a Ásia é o horizonte estratégico
A Europa segue como o principal destino das frutas brasileiras, absorvendo cerca de 60% dos volumes exportados. A proximidade cultural, os acordos comerciais vigentes e a preferência dos consumidores europeus por frutas tropicais consolidaram esse mercado ao longo de décadas.
Mas o setor já olha para além do Atlântico. A Ásia é considerada o maior polo consumidor de frutas tropicais até 2030, e países como China e Índia têm ganhado relevância crescente nas estratégias de diversificação das exportações brasileiras. A abertura recente desses mercados para produtos como limão, maçã e avocado brasileiro é um sinal positivo, e uma janela de oportunidade que exige preparação técnica e comercial.
A participação em feiras internacionais, como a Macfrut 2026 na Itália, onde uma comitiva de produtores brasileiros esteve presente, e as missões de prospecção ao Canadá evidenciam que o setor está se movendo ativamente para diversificar destinos e consolidar sua presença global. Ações promocionais em parceria com a ApexBrasil também têm sido fundamentais para ampliar o reconhecimento das frutas brasileiras no exterior.
O que explica a competitividade crescente do Brasil?
O recorde do primeiro trimestre não surgiu do acaso. Ele é resultado de uma combinação de fatores estruturais que vêm sendo construídos ao longo de anos:
Condições edafoclimáticas privilegiadas — O Brasil reúne solo, clima e disponibilidade hídrica que permitem produzir frutas tropicais com qualidade e regularidade o ano todo, algo que poucos países conseguem oferecer.
Organização da cadeia produtiva — Produtores, exportadores e entidades do setor têm trabalhado de forma mais coordenada para garantir padrões fitossanitários, rastreabilidade e regularidade de oferta — requisitos essenciais para manter e ampliar acesso a mercados exigentes.
Abertura de novos mercados — Acordos bilaterais e ações diplomáticas comerciais têm derrubado barreiras e aberto portas para frutas brasileiras em países que antes eram inacessíveis.
Câmbio favorável — A taxa de câmbio tem contribuído para tornar as frutas brasileiras mais competitivas em preço nos mercados internacionais, ampliando margens e atraindo novos compradores.
O que esse resultado significa para os profissionais de Comex?
Para quem atua no comércio exterior, o crescimento das exportações de frutas representa muito mais do que um dado positivo na balança comercial. Significa oportunidades concretas em toda a cadeia: logística refrigerada, despacho aduaneiro, certificações fitossanitárias, negociação de contratos internacionais, compliance cambial e inteligência de mercado para novos destinos.
O profissional de Comex que entende as especificidades do setor frutícola, seus prazos curtos, suas exigências regulatórias e sua sensibilidade logística, estará cada vez mais valorizado em um mercado que não para de crescer.
A ABRACOMEX e o desenvolvimento do profissional de Comex
Resultados como esse reforçam a importância de profissionais bem preparados para operar em um mercado internacional cada vez mais dinâmico e competitivo. A ABRACOMEX acredita que o crescimento do Comex brasileiro depende diretamente da qualificação de quem o opera: nas empresas, nas tradings, nos portos e nas aduanas.
Por meio de formação técnica atualizada, eventos, conteúdos especializados e conexão entre profissionais do setor, a ABRACOMEX contribui para que o Brasil continue avançando nas exportações: seja de frutas, seja de qualquer outro segmento com potencial de crescimento no mercado global.
O recorde é de hoje. O próximo pode ser construído por você.
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